Esta nave chamada Terra

Hoje somos mais de 8 bilhões de passageiros rumo ao desconhecido. Estamos perdidos num universo que é menor do que um grão de areia. Recebemos como moradia, como presente p ara cuidarmos e zelarmos como se fosse uma jóia rara. Ainda não conseguimos atentar o valor deste maravilhoso planeta chamado Terra. Fomos convidados para uma viagem, ou melhor, para esta viagem.

São dias, meses, anos, séculos e mais séculos juntos. Nesta viagem em que um dia já fomos pilotos e em outros momentos, passageiros, simplesmente passageiros.

Estamos perdidos como se estivéssemos dentro de uma nave quebrada ou avariada, sem rumo e sem destino.

Não seremos nós seres humanos que estamos todos quebrados e totalmente engessados? E a nossa convivência como seres humanos? Quantas vezes viajamos na mesma suíte, usando a s mesmas acomodações que nos foram ofertadas, e continuamos eternos desconhecidos?

Mas, talvez, pelas obras do destino, acabamos nos conhecendo e muitas vezes chegamos ao ponto de jurarmos amor eterno, então podendo continuar a viagem. Mas ainda  assim a viagem continua e para nossa surpresa acabamos descobrindo que continuamos viajando como estranhos, sem nos conhecermos.

Acabamos nos despedindo sem nem um “oi” ou “olá”! Então enxergamos a vida de uma forma fria e calculista, verificamos que não houve nem simplesmente um olhar, apenas um olhar.

Muitas vezes são anos de viagem juntos e mesmo assim mal nos conhecemos. Pior, muito pior, além de não nos conhecermos , destruímos tudo. Agredimos com palavras, gestos, e mais uma gama de atos como se os companheiros o u companheira s de viagem fossem inimigos.

E nesta viagem, trabalhamos dias, semanas, meses e anos para melhorarmos a nossa qualidade de vida, sempre correndo em busca de mais e mais.

Vejam, é uma busca que não tem fim, pois a nossa ganância também não tem fim. E pergunto: para quê, porque toda essa corrida?

Sede de poder na política, na vida social, na sociedade como um todo , inclusive no ambiente familiar.

Não conseguimos enxergar além do nosso umbigo e nem assim estamos satisfeitos. Pois as conquistas alcançadas não bastam.

O vizinho compra um carro, então o meu não serve mais. E assim compro um iate, um avião e não basta.

O outro tem mais e assim continuamos enxergando apenas os frutos dos outros. Em vez de plantarmos e colhermos o que plantamos, preferimos tirar do outro, não importando a forma, se tomando na força ou até roubando.

E a viagem continua mundo afora, universo afora. Já chegaram a pensar o que seria se a

viagem fosse mais e mais além da Terra? Estamos juntos nesta nave linda e maravilhosa que se chama planeta azul, e se olharmos com mais atenção veremos que neste imenso universo ainda temos o Sol e as estrelas, que nos encantam com seus brilhos.

A nave continua sua viagem rumo a o desconhecido e vai ainda continuar por séculos, milhões de séculos, e nós vamos continuar apenas como simples passageiros? Vamos continuar juntos por quanto tempo? Sem haver mudanças?

Como seria maravilhoso se houvesse uma mudança radical nas nossas vidas para contribuir na transformação de uma viagem sem sentido para um mundo ou uma viagem onde todos nós pudéssemos ser mestres de harmonia e prosperidade.

Mas será que nós nos conhecemos? Será que eu me conheço? Muitos usam o amor como símbolo da amizade e símbolo da paz. O amor deveria ser eterno, deveria ser um a ferramenta em busca do conhecimento espiritual e crescimento.

A viagem continua em busca de uma convivência pacífica, sendo sempre uma busca de harmonia e união , mas viajar sozinho para quê? Aliás, em uma viagem dessa natureza, precisamos de uma solidariedade e desprendimento.

Por mais que sejamos auto-suficientes, ainda assim precisamos de  uma mão amiga para um abraço, para nos levantar nos tropeços e dificuldades da vida.

A nossa vida é um grande presente de Deus, esse grande Deus que não nos cobra nada. E, além disso, é o nosso grande companheiro desta viagem. Deixou tudo em nossas mãos para ser usado em benefício da humanidade.

Mas, temos grandes inimigos com o egoísmo, a vaidade e a soberba. Tudo voltado para o “ter”. Não é proibido ter. Mas somente isso é muito pouco.

Por que não voltamos a nossa vida também para o “ser”?

“Ter” é o olhar que os outros possuem, correr apenas atrás de bens materiais.

Ao contrário, quando mudamos a forma do pensar para “ser” , vamos conseguir viver de uma forma mais leve e rica, voltada para o lado espiritual e filosófico.

“Ser” é olhar para dentro de si não de uma forma egoísta e sim procurar dividir e repartir o pão nosso de cada dia. “Ser” é doação, é uma forma de fazer e não cobrar do outro.

Estou dando, estou doando, sem pensar em troca ou em receber algo com o troco. Estamos acostumados a pensar “só vou dar amor, amizade, carinho e atenção se o outro devolver da mesma forma”. Então vejamos, o amor não é mercadoria, o amor não se encontra nas prateleiras dos supermercados e também não é vendido nas lojas.

Então passageiros desta viagem, será que depois de convivermos anos e anos vamos continuar desconhecidos? Vamos continuar anônimos e não existir na despedida nem um até logo ou até breve?

Então para que continuar a viagem  carregando toneladas de “ter”, que é um grande fardo, um fardo muito pesado pela vida? Carregar o “ser” é mais leve, mais lindo e maravilhoso.

Vocês já repararam na beleza dos ipês roxos, ipês brancos e amarelos?

Então , dividam , repartam, enquanto podem, não só os ipês, mas também os girassóis, o céu azul, as nuvens, o maravilhoso sol da manhã e na noite curtam e repartam aquela lua maravilhosa que os poetas tanto admiram e transformam em lindas poesias e canções.

Companheiros desta vida maravilhosa, vamosprocurar o que o outro gosta, o que o outro ama, e nesta viagem, no final, na despedida, poderemos dizer “muito obrigado”, “valeu a pena esta viagem” , ” foi maravilhosa”, “esta viagem não foi em vão, valeu a pena”.

Aprendi muito, e espero continuar aprendendo, e ainda tê-los como viajantes e juntos podermos bater nas costas e dizer “eu te amo”. Meus irmãos de viagem , uma das grandes magias do universo é podermos ver, ouvir, pensar e falar. Será que os presentes recebidos não serão para usarmos como a grande benção de Deus para vivermos em paz e harmonia?

Boa viagem! A viagem está apenas começando.

Então vamos nos conhecer melhor, vamos repartir o amor e seguir esta viagem segurando na mão de Deus. Boa viagem.

Sensei Takeshi Miura